Ciências Humanas focam nos mestrados profissionais em rede nacional para qualificar professores

postado em 18 de out de 2013 07:08 por Diretoria de Avaliação   [ 18 de out de 2013 07:44 atualizado‎(s)‎ ]
Publicada por Coordenação de Comunicação Social da Capes   
Quinta, 17 de Outubro de 2013 20:17

Tendo como inspiração o Programa de Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (Profmat) – primeiro curso de formação continuada stricto sensu no formato semipresencial aprovado pela Capes em 2010 – as áreas que compõem a grande área Ciências Humanas estão engajadas na criação de cursos semelhantes, que atendam ao objetivo de qualificar os professores das redes públicas de ensino fundamental e médio em todo o Brasil.

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Carlos Fico da Silva Junior, coordenador da área de História
ProfHistória
Para Carlos Fico da Silva Junior, coordenador da área de História, que recentemente teve aprovada a proposta de criação de curso de mestrado profissional em rede nacional, falou sobre a importância da recomendação. "Nós já tínhamos há muitos anos essa vontade de, a partir do sistema de pós-graduação, de algum modo, atuar também na qualificação dos nossos alunos que saem da graduação e vão lecionar na educação básica. Montamos esse projeto com o apoio de diversas universidades do Brasil inteiro. Ele vai ser implementado brevemente e a gente está muito esperançoso de que isso interfira positivamente na formação continuada dos professores de história", ressalta.

O professor Fico disse ainda que a maioria dos alunos dos cursos de graduação em história vão trabalhar justamente na área de ensino e, até recentemente, não tinham oportunidade de uma formação continuada e o ProfHistória vai atuar exatamente nesse sentido.

ProfGeo
Já o professor João Lima Santanna Neto, coordenador da área de Geografia, conta que nesse triênio houve longa discussão a respeito dos mestrados profissionais e também do mestrado em rede, o chamado ProfGeo. "Estamos iniciando as conversas com vários profissionais de ensino de geografia nas universidades e logo que a gente voltar às atividades no ano que vem, a partir de fevereiro, nós já vamos começar a organizar esse cronograma, fazendo uma primeira reunião em Brasília, para criar esse primeiro programa de mestrado profissional em rede", conta. Neto reconhece que a maior parte dos profissionais formados na graduação vai para o magistério e que, desta forma, o ProfGeo virá no sentido de ajudar na melhoria da formação profissional dos professores de ensino básico do país.

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João Lima Santanna Neto, coordenador da área de Geografia



ProFilo

Danilo Marcondes de Souza Filho, coordenador da área de Filosofia, diz que a área está muito interessada nessa linha de desenvolvimento. "Inclusive discutimos com os coordenadores dos programas a possibilidade de abrir linhas de pesquisa e até mestrados no ensino de filosofia para a qualificação dos professores do ensino médio. Isso é uma prioridade para nós, porque como tem sido discutido aqui na Capes, isso tem impacto nos diferentes níveis: a qualidade no ensino médio se reflete na graduação, a graduação se reflete na pós-graduação. A educação é um sistema, se você separar vai ter problemas".
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Danilo Marcondes de Souza Filho, coordenador da área de Filosofia
Danilo Filho disse que a área está discutindo a criação de um mestrado profissional em rede nacional – o ProFilo, ou um mestrado mais geral em humanidades. "Particularmente, seria interessante o de filosofia. Acho que há especificidades na filosofia, há uma discussão em andamento e já lancei essa ideia aos coordenadores. Acredito que devemos amadurecer e encaminhar essa proposta para a Capes já no ano que vem. É uma prioridade para nós."
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Jacob Carlos Lima, coordenador da área de Sociologia


Humanidades



Áreas que não estão diretamente ligadas às licenciaturas se articulam para criação de cursos que reuniriam as áreas de Ciência Política, Sociologia e Antropologia. Jacob Carlos Lima, coordenador da área de Sociologia diz que as áreas estão conversando sobre a proposta de um mestrado profissional em ciências sociais abrangendo as três disciplinas. "A Sociedade Brasileira de Sociologia já se propôs a isso e nós estamos organizando uma comissão para fazer uma proposta. É provável que a gente apresente logo uma proposta de mestrado em rede de ciências sociais, voltado para o ensino, já que hoje a sociologia é uma disciplina do ensino médio e grande parte dos professores que a ensinam não tem formação específica na área", afirma.




Lia Zanotta, coordenadora da área de Antropologia, ressalta que a melhor opção para a área é a criação de um mestrado profissional em rede para a área de ciências sociais. "Com a participação de professores que pudessem coordenar em conjunto as disciplinas de sociologia, ciência política de antropologia. Nós até chegamos a conversar, os três coordenadores, para que, assim que acabe essa Avaliação Trienal, a gente organize um pequeno grupo para constituir essa proposta."

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Lia Zanotta, coordenadora da área de Antropologia

Para Zanotta, da maneira que a forma do ensino médio está posta, há uma predominância da sociologia. "Mas como aquele que é sociólogo, professor de ciências sociais, é mais englobante que a sociologia, pois permite uma interdisciplinaridade com antropologia e ciência política, a ideia é, portanto, que a gente faça um mestrado profissional em ciências sociais, mas que realmente englobe as três disciplinas", completa.
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André Luiz Marenco dos Santos, coordenador da área de Ciência Política e Relações Internacionais





Para André Luiz Marenco dos Santos, coordenador da área de Ciência Política e Relações Internacionais, a iniciativa é extremamente oportuna. "Penso que é possível, pelo menos, dois tipos de formatos diferentes para um mestrado em rede em humanidades. Um, talvez mais amplo, dedicado a uma formação mais humanística, uma formação em questões sociais, políticas e econômicas, mas, sobretudo, eu acho que talvez um mestrado em rede dedicado a formar quadros para a administração escolar pública", sugere.

O professor diz que há uma grande questão hoje no país que é a expansão das políticas públicas e os correspondentes recursos orçamentários. Para as políticas sociais a grande questão é a qualidade. "O problema crucial é a questão da qualidade das políticas públicas e isso supõe a qualidade dos gestores, a qualidade dos formadores e avaliadores de políticas. Seria de grande relevância a criação de um mestrado em rede na área de humanidades que possa juntar ciência política, economia, administração, sociologia, serviço social e outras áreas, dedicado a formar funcionários públicos, analistas de políticas públicas. O interessante é que esse mestrado em rede pudesse ter como clientela não só os funcionários públicos, mas também os indivíduos que eventualmente possam pensar uma carreira no setor público", concluiu.

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Clarilza Prado de Sousa, coordenadora da área de Educação
Educação
Para Clarilza Prado de Sousa, coordenadora da área de Educação, há possibilidade de mestrado profissional em rede quando se fala em gestão da escola, formação de professores de 1ª a 4ª série, assuntos específicos da área de educação. "O que nós estamos preocupados é que esses mestrados profissionais existentes capacitem o professor que depois volta para a escola. Se o gestor da escola, o coordenador pedagógico não estiver preparado para receber esses professores e integrar essa formação ao currículo da escola, o professor capacitado não consegue trabalhar. A visão que nós temos é que na educação básica o professor não é isolado, não é como na universidade, que o professor da aula sozinho. Na escola, ele é orientado, coordenado, pela equipe de professores coordenadores", reforça.

 

Clarilza Sousa diz que os mestrados profissionais da área de educação estão buscando isso, preparar os professores, os coordenadores, orientadores, supervisores, os diretores e os próprios técnicos da secretaria de educação para interagir com esses professores formados na pós-graduação.

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Carmem Moreira de Castro Neves, diretora de Formação de Professores da Educação Básica
Capes
A diretora de Formação de Professores da Educação Básica, Carmem Moreira de Castro Neves, reforça que o grande desafio da educação brasileira hoje é a melhoria da educação básica, o que passa pela formação de professores. "O mestrado profissional é uma resposta muito eficiente e eficaz para os problemas que o professor tem no dia-a-dia, ao mesmo tempo em que ele amplia seus conhecimentos e competências docentes. Então, o Mestrado Profissional é esse diálogo entre teoria e prática, que promove uma formação continuada do professor em um nível crescente de complexidade, ao mesmo tempo em que permite a esse professor já interferir positivamente em sala de aula", explica.

Carmem Neves destaca o impacto positivo que essas iniciativas possuem na capacitação dos docentes da educação básica. "É, por isso que os professores, de modo geral, veem com grande expectativa o mestrado profissional, porque eles sabem que ao mesmo tempo em que eles estarão elevando sua proficiência na didática, nas metodologias, no conhecimento relativo à área que ele trabalha, estarão também colhendo bons frutos com os seus alunos", conclui.

Pedro Matos, Fabiana Santos e Gisele Novais