Coordenadoras de áreas da saúde apontam espaço para crescimento de mestrado profissional

postado em 3 de out de 2013 18:24 por Diretoria de Avaliação   [ 3 de out de 2013 18:25 atualizado‎(s)‎ ]
Publicada por Coordenação de Comunicação Social da Capes   
Quinta, 03 de Outubro de 2013 20:05

Entre as áreas do conhecimento incluídas na primeira semana da Avaliação Trienal 2013 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), estão três que se destacam por terem um número expressivo de cursos na modalidade de mestrado profissional: odontologia, enfermagem e saúde coletiva. As coordenadoras dessas áreas indicam que o desenvolvimento da modalidade incrementará a formação qualificada de profissionais para o atendimento às demandas sociais e garantem: há espaço para o crescimento do mestrado profissional na área de saúde.

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Isabela Almeida Pordeus, coordenadora da área de odontologia (Foto: Felipe Lima - CCS/Capes)
O panorama geral é de expansão e consolidação. A odontologia conta hoje com 22 mestrados profissionais em andamento. De acordo com a coordenadora Isabela Almeida Pordeus, esses cursos possuem importância especial devido à natureza profissional da odontologia. "Ter profissionais qualificados com todo o treinamento voltado não só para a profissionalização, mas para a geração de conhecimento focada nos problemas da sociedade é de extrema relevância pra nossa área", explica.

O mestrado profissional na área de enfermagem é relativamente recente, datando sua implantação em 2006. A coordenadora Carmen Gracinda Silvan Scochi explica que inicialmente os cursos foram desenvolvidos à semelhança dos mestrados acadêmicos, mas com o amadurecimento da área, os cursos tem tido maior identidade sobre o impacto do retorno à sociedade, em termos de desenvolvimento de conhecimento e tecnologia aplicável aos serviços. "Estamos, ainda numa fase de consolidação dos cursos e nós temos uma clientela bastante importante advinda dos serviços de saúde, que precisa melhorar as práticas profissionais e contribuir com a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS)", explica.

Existem hoje 15 mestrados profissionais na área de enfermagem. "A nossa tendência mais recente é olhar a qualificação na perspectiva de dar uma resposta à sociedade, no sentido de agregar e utilizar o método científico na melhoria e solução dos problemas da prática do profissional", afirma Scochi.

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Carmen Gracinda Silvan, coordenadora da área de enfermagem (Foto: Felipe Lima - CCS/Capes)
Esse retorno à sociedade é parte integrante dos programas da área de saúde coletiva, explica a coordenadora Rita Barradas Barata, área que mais conta com cursos de mestrado profissional nas ciências da saúde, 26. "Na área de saúde coletiva os mestrados profissionais são uma modalidade muito apropriada porque trata-se de uma área de políticas públicas profundamente dedicada à pesquisa aplicada", ressalta.

Crescimento
As três áreas indicam espaço para crescimento. "Tenho certeza que há espaço para crescimento na área de odontologia. Se você pensa que hoje temos 102 programas e desses apenas 22 são mestrados profissionais, temos apenas um quinto da nossa pós-graduação nessa modalidade", conta Pordeus.

A coordenadora de odontologia aponta, entretanto, que a partir do crescimento é preciso pensar também na distribuição desses profissionais odontólogos na sociedade brasileira. "O Brasil tem um dos maiores números de dentistas no mundo, em torno de 250 mil, então se queremos melhorar a atenção da saúde bocal da população é importante que tenhamos profissionais muito bem treinados e com a capacitação de fazer perguntas que vão responder a demandas da sociedade", enfatiza.

As perspectivas para a área de enfermagem são semelhantes. "Sem sombra de dúvidas há espaço para crescimento do mestrado profissional em enfermagem. Crescimento que vai ao encontro ao Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) e às necessidades dos serviços de saúde em qualificar a prática profissional na busca de diminuir a lacuna que existe entre ciência e prática. Nós vemos o mestrado profissional como uma possibilidade de diminuir esse gap", afirma a coordenadora Carmen Gracinda Silvan.

Na área de saúde coletiva também existe espaço para o crescimento, devido ao número de profissionais que atuam no sistema nacional de saúde, explica a coordenadora Rita Barata. "Eles são a potencial clientela para os cursos de mestrado profissional da área de saúde coletiva. Tudo relacionado à gestão do sistema de saúde, controle de doenças, atuação em regulação na área de vigilância sanitária, todas essas áreas são muito amplas no país e demonstram um potencial muito grande para o crescimento da modalidade".

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Rita Barradas Barata, coordenadora da área de Saúde Coletiva (Foto: Guilherme Feijó - CCS/Capes)
Evolução da avaliação
O mestrado profissional possui componentes específicos de avaliação. A Portaria Normativa nº 17, de 2009, dispõe sobre esta modalidade no âmbito da Capes. As áreas de odontologia, enfermagem e saúde coletiva tem experimentado um momento de amadurecimento desses programas.

"Desde a criação desta modalidade houve um amadurecimento não só na odontologia, mas em todas as áreas. Agora, temos dado um direcionamento mais forte para esses mestrados profissionais no sentido de valorar especialmente a capacitação técnica", afirma Isabela Almeida Pordeus.
A coordenadora aponta que o investimento deve ser feito principalmente na formação de mestres profissionais na área de saúde coletiva e de gestão de serviços. "O Brasil nos últimos 10 anos tem investido com muita intensidade na expansão do serviço público de odontologia e consequentemente haverá uma inversão do acesso da população, que hoje é muito mais privado, com consultórios particulares. Hoje, com os investimentos e ampliação da rede de odontologia, vamos precisar muito de profissionais competentes na gestão de rede para que o acesso, um dos estrangulamentos da área, se torne mais amplo", conclui.

Já na área de enfermagem, o desafio é alavancar a produção de conhecimento articulada à necessidade dos serviços, avalia Carmen Silvan. "Precisamos avançar no desenvolvimento de produtos tecnológicos e de processos, para dar respostas as necessidade dos hospitais e das unidades básicas de saúde. Sentimos que essa é uma direção que precisa ser fortalecida na área de enfermagem. Com as publicações temos obtido boas respostas, mas o desenvolvimento de patentes, de tecnologias e de processos, precisa ser incrementado e visto como prioridade para os próximos anos", explica.

Para a área de saúde coletiva, a coordenadora Rita Barata, aponta a necessidade de alguns ajustes do ponto de vista operacional para poder melhor captar o que são os programas de mestrado profissional na avaliação. "A área avançou bastante porque conseguimos ter uma ficha mais apropriada para captar o que é específico no mestrado profissional, mas ainda é preciso algumas mudanças. Por exemplo, talvez o que melhor captasse o desempenho dos mestrados profissionais fosse avaliar turma por turma e não o curso num triênio. Como a duração desses cursos é de dois anos às vezes nos deparamos com uma turma que terminou, outra que não entrou e assim surgem dificuldades para avaliar", explica.

(Pedro Matos)