Coordenador fala sobre os desafios da implementação do Profletras

postado em 24 de out de 2013 14:00 por Diretoria de Avaliação   [ 24 de out de 2013 14:00 atualizado‎(s)‎ ]
Publicada por Coordenação de Comunicação Social   
Quinta, 24 de Outubro de 2013 10:42
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Oliveira aponta como tendência a expansão para as áreas de educação e pedagogia, responsáveis pelo ensino nas séries iniciais (Foto: Edson Morais - CCS/Capes)
Lançado em abril de 2013, o Programa de Mestrado Profissional em Letras (Profletras) é a segunda experiência de pós-graduação stricto sensu semipresencial no país (sendo o Profmat o primeiro mestrado profissional em rede nacional). Com 13 mil candidatos de todo o Brasil interessados na primeira seleção, a experiência já tem demonstrado a importância e a carência na formação de professores de letras no país. Em Brasília, para a realização da Avaliação Trienal 2013, o coordenador da área de Letras/Linguística, Dermeval da Hora Oliveira, conta sobre os desafios e realizações do novo programa.

História
Segundo Demerval Oliveira, o Profletras surge de uma mudança na concepção da área de letras. "Em 2002 e 2003, o consenso é que não éramos uma área que tinha relação com o mestrado profissional", afirma. Essa concepção mudou dez anos depois, com a necessidade de capacitar os professores da educação básica. "No início de 2012, reunimos cerca de 70 programas do Brasil e entendemos que era importante encaminhar uma proposta de mestrado profissional em rede nacional. Eu coordenei a proposta com mais 12 professores indicados pelos colegas como representantes de todas as regiões do Brasil e, em abril, encaminhamos a proposta de curso novo", relembra. O curso foi aprovado com nota 4 pelo Conselho Técnico-Científico da Capes e o primeiro processo seletivo aconteceu em 2013.


Números

A área de Letras possui hoje 140 programas de pós-graduação, sendo 50 desses com linhas de pesquisa voltadas para o ensino. Como o coordenador explica, o Profletras mobiliza grande parte dessa área em dimensões nacionais. "Temos 39 instituições de ensino superior envolvidas, participam 280 professores e temos representantes de todas as regiões do país. Nós tivemos, para se ter ideia da repercussão, na primeira seleção a inscrição de 13 mil candidatos concorrendo a 850 vagas, que foram todas preenchidas", afirma. O Profletras agora está em funcionamento com a primeira turma.

Desenvolvimento
Com o início das atividades, Demerval explica que é possível fazer as primeiras análises. "Interessante é que, como tenho viajado muito para visitar cursos acadêmicos, sempre encontro com colegas coordenadores do Profletras. A informação que temos é que as turmas têm aceitado muito bem a proposta e os professores têm se revelado excelentes alunos", conta.

Estigma
A qualidade dos programas envolvidos também é destacada pelo coordenador. "Temos na coordenação do Profletras programas que possuem na modalidade acadêmica notas 6 e 7, programas de excelência", afirma. Segundo o professor, essa qualidade ajuda a diminuir preconceitos que poderiam haver sobre o mestrado profissional semipresencial. "O que observamos é que essa nova modalidade de formação está sendo menos estigmatizada do que era. Havia uma resistência ao mestrado profissional, mas a gente tem quebrado muito isso. Há uma preocupação dos alunos que o curso profissional e semipresencial tenha a mesma qualidade de um mestrado acadêmico. Temos conversado sobre isso em diferentes fóruns que participamos em todo o país e a gente tem certeza que o curso vai dar um resultado muito bom", explica.

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Coordenador da área de Letras/Linguística, Dermeval da Hora Oliveira (Foto: Edson Morais - CCS/Capes)
Desafios
Os objetivos a serem alcançados com o Profletras são bastante claros, afirma o professor. "O que a gente espera com esse mestrado profissional é minimizar um problema que temos na área de letras, principalmente em relação aos alunos do ensino fundamental que têm índices baixíssimos nas várias avaliações que são feitas quando se trata da questão de leitura e de escrita. O Profletras tem esse foco no ensino fundamental", explica.

A preocupação com a educação básica está inclusive presente no documento de área que norteia as ações da área de letras e linguística. "Sabemos o quanto é importante para a formação dos alunos o uso da língua, seja na forma escrita, na forma de leitura. Isso é o que vai definir o sucesso de um profissional, independente da área que ele escolher no futuro. Acredito que o resultado vai ser proveitoso para o país como um todo", afirma.

Futuro
Para os próximos anos do Profletras, Demerval Oliveira já aponta algumas tendências, como a expansão do público de professores a serem considerados. "Nesse primeiro momento contemplamos apenas professores de letras, esperamos que em breve possamos abrir para os professores da área de educação, da pedagogia, responsável pelo ensino nas séries iniciais da educação básica", conta.

O coordenador já enxerga a possibilidade de aumentar a oferta de vagas num futuro próximo. "Agora, o curso já está chamando atenção de outras pessoas, mobilizando setores da área de letras, e há muitas instituições querendo aderir. Acredito que se a Capes abrir um edital no próximo ano para novas adesões teremos um salto em termos numéricos. Tenho certeza que o Profletras pode dobrar de tamanho e capacidade", prevê.

Pedro Matos